21.3.18

A Poesia é um fogo sagrado


Steve Thoms

Naquela noite eu só procurava um lugar para morrer.
Havia o cume da montanha tão perto das estrelas
e da liturgia dos sons. Havia um xaile de lã.
Uma casa caiada de gemidos. Uma mulher.
Para quê improvisar o pretexto da morte
se guardava já, delineado no olhar,
um puríssimo lago a antecipar o dia,
o primeiro, quase, em que as palavras
tinham a inteira claridade das manhãs?
Mergulho no dia como em mar ou seda,
repetia, a mim mesmo, sem parar.
A Poesia é um fogo sagrado a iluminar a vida!

Graça Pires
In: As vozes de Isaque: derivações poéticas a partir da obra “O último poeta”, de Paulo M. Morais. Braga: Poética, 2016, p. 17