Steve Thoms
Naquela noite eu só procurava um lugar
para morrer.
Havia o cume da montanha tão perto das
estrelas
e da liturgia dos sons. Havia um xaile
de lã.
Uma casa caiada de gemidos. Uma mulher.
Para quê improvisar o pretexto da morte
se guardava já, delineado no olhar,
um puríssimo lago a antecipar o dia,
o primeiro, quase, em que as palavras
tinham a inteira claridade das manhãs?
Mergulho
no dia como em mar ou seda,
repetia, a mim mesmo, sem parar.
A Poesia é um fogo sagrado a iluminar a
vida!
Graça Pires
In: As vozes de Isaque:
derivações poéticas a partir da obra “O último poeta”, de Paulo M. Morais.
Braga: Poética, 2016, p. 17
