23.4.15

Desenho uma flor




Desenho uma flor.
Toco-a ao de leve.
Uma espécie de afago rubro
habita minhas mãos
que guardam, na bainha das palavras,
a voz do espanto
trauteada por insuspeitos lábios.
Escrevo devagar para não ferir
a vertigem da madrugada
que se rasgou em todos os olhares.
Toco a flor, levemente.
Há, de novo, no ar um aroma inesquecível.

Graça Pires
In: Abril: 40 anos. APE, 2014, p. 249