Desenho uma
flor.
Toco-a ao de
leve.
Uma espécie
de afago rubro
habita minhas
mãos
que guardam,
na bainha das palavras,
a voz do
espanto
trauteada por
insuspeitos lábios.
Escrevo
devagar para não ferir
a vertigem da
madrugada
que se rasgou
em todos os olhares.
Toco a flor,
levemente.
Há, de novo,
no ar um aroma inesquecível.
Graça Pires
In: Abril: 40 anos. APE, 2014, p. 249
