Walter Crane
Divina e humana.
Estratagema de zeus para ser perverso,
no tempo em que os homens
e os deuses se divertiam juntos.
Era irrelevante acorrentar-lhe os pulsos.
Suas mãos eram aves
ansiosas de voos ousados.
Os ventos, deslumbrados,
soltaram a luz e a sombra
em seus dedos
que, sem pudor,
destaparam o vaso da inocência.
A palavra culpada enroscou-se-lhe
no corpo como um estigma sem fim.
E apenas bem no fundo dos seus olhos
permaneceu, para sempre, a esperança
de ser salva ou de salvar.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 30
Apesar de se tratar de um mito esta é a minha homenagem a todas as mulheres.
