que me naufragam no peito
enrouquecida que fico
se um rumor azul
deixa de alagar a minha voz.
Mas demando o sinistro equívoco
que inventa todas as fugas
para se morrer de múltiplas mortes
a fugir da morte
em margens que o mundo renega.
Qual o som do mar me questiono
qual o som do mar tão saturado de mortos?
Que sinos soarão por eles?
Quem fará a oração o sinal da cruz o requiem?
Guardo dentro de mim ondas alteradas
como gritos silabando a luz aflita
cravada na retina de olhos extenuados.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023, p. 57
