4.7.22

Esboço a demora do amor

Magdalena Russocka

Em contrição febril, penitente, 
esboço a demora do amor e concebo 
um gozo preso nas frestas das portas, 
tão próximo dos meus contornos de fêmea. 
Agora não quero profanar a tábua de salvação 
que me transformou a vida com argumentos 
enlaçados no sangue do meu sangue. 
Foi quase possível acreditar no amor 
sem contradição alguma. 
Um desígnio iluminado renegou em mim 
o achamento da treva, o desalinho do pensamento. 

Graça Pires 
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 24