Susan Deerges
No outono a lentura entretece os dias.
Cada uva mordida é um crivo do vinho
escorrendo nas gargantas mais
sôfregas.
As aves sublimam a profecia das
distâncias
com asas ansiosas de desertos e
montanhas.
O mar, inclemente, afoga os navios e
ama,
de madrugada, a bruma salgada
que alarma o eco iluminado de um
farol.
Há uma espécie de desamparo
em cada árvore, abraçando
o vento rendida e desnuda.
As pessoas envolvem o desconforto da
pele
em panos de tecelagem grossa
e vigiam de perto a febre dos filhos.
Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015
