2.1.18

A respiração com que celebro cada instante

Albino Moura


Em silenciosa queda, o rasgo que vaza
secura e sangue abre-se à rendição
do gesto elevando as mãos.
No recinto dos cânticos mais discretos,
talvez haja um eco de salmos entoados
por nítidos anjos a devolver-me,
como herança inscrita em tábuas sagradas,
a respiração com que celebro cada instante.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015