Lembras-te dos tempos azuis
intermináveis e belos?
Inesquecíveis nos corpos
um só momento e o azul
bêbado de nós;
eram tempos de florir
de partir à descoberta
de dizer sim quando foi sim
a palavra de dizer.
Lembras-te dos tempos azuis
no embalo terno e ousado
dos nossos mistérios?
no embalo terno e ousado
dos nossos mistérios?
A um passo
da curva acentuada
a estrada desnivela-se
e afunda-se pela montanha.
No malabarismo de viver
estranham-se ausências
revelam-se sombras
desaparece a sonoridade.
Consegui voltar:
incólume.
Paula Banazol de Carvalho
In: A tempo do tempo. - Lisboa: Poética, 2024, p. 16
In: A tempo do tempo. - Lisboa: Poética, 2024, p. 16
