Katia Chausheva
Pela
respiração do mundo
sei
que a vida me cerca
com
mãos inesgotáveis.
Possuo
um deserto na garganta
e a
essência dos cardos
em
antigas sedes.
E
corro o perigo de ser
a
combustão das fontes,
ou
a vertigem de um brado,
ou
o som indeciso da mudez,
quando
ato aos tornozelos
o
voo das aves para que as pernas
sejam
colunas de santuário
onde
os pés descalços não têm ruído,
nem
rasto, nem forma.
Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015
