6.12.14

Tempo

Michael Bilotta


Pela fresta de uma luz que nunca se repete 
nem se curva no abismo onde pernoitam 
as sombras foge-nos o tempo. 
É inútil tentar ouvir o som dos pêndulos 
na alucinante respiração das cidades 
onde todos os relógios nos confundem. 
Os horários vão-nos queimando na memória 
outra idade em que as pálpebras 
não se encharcavam ainda com a secura da boca.

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013