Michael Bilotta
Pela fresta de uma luz que nunca se repete
nem se curva no abismo onde pernoitam
as sombras foge-nos o tempo.
É inútil
tentar ouvir o som dos pêndulos
na alucinante respiração das cidades
onde todos
os relógios nos confundem.
Os horários vão-nos queimando na memória
outra idade
em que as pálpebras
não se encharcavam ainda com a secura da boca.
Graça Pires
De Caderno de significados, 2013
