29.6.26

Aviso de asas

 



 

Afasto, devagar,
dos ombros da manhã,
a lonjura de cera
implícita nos meus passos
como um aviso de asas.

Já não podem tardar
os dedos que sufocam o medo
nos degraus da noite,
contos de fada
vidrados nos meus pulsos,
ângulo ou curva
de ternuras ausentes,
sinal anterior
a qualquer contradição.

Sou, por instantes,
um sossegado insecto
na flor dos lábios.

Graça Pires

De Poemas, 1990, p. 10

Faz hoje 36 anos que editei o meu primeiro livro "Poemas". Este poema é desse livro.