para que eu possa procurar a minha.
Onde está o berço, a cambraia,
a saliva na teia dos dedos?
Diz-me, conta-me os lugares
e os jogos da tua meninez.
Quais as brincadeiras,
os heróis, as teimas?
Deixa-me partilhar contigo
o cume da montanha
onde te escondias, sem ruído,
nos detalhes do horizonte.
Permite que o manancial de teus olhos
se derrame nos meus olhos,
para que os dias não cubram de secura
a memória da água.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 29
