aykut ydogdu
Nunca ignoro a geometria de agitadas águas
visível nos seixos mais incertos,
quando uso um pretexto de fuga
para percorrer os mares abertos,
costeiros, ligados à terra.
Uma tempestade inusitada no peito
decifra a cor indefinida das marcas digitais
dos que tacteiam a estranheza dos barcos
com nomes de mareantes
impressos com sal e sangue.
Aves marinhas cantam-me nos lábios
estranhos sinais.
Risco então em cartas geográficas
o delírio dos mastros pressentido
na minha voz navegante.
Fixo-me às tábuas com nós de marinheiro
e a carga do navio tem o peso do meu corpo.
Depois de eu morrer haverá o rumor do meu olhar
luzente sobre o mar mais intranquilo.
Graça Pires
De Antígona passou por aqui, 2021, p. 43
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