19.6.14

Janela

Toulouse-Lautrec

Abro todas as janelas para que a brisa se aproxime. 
É madrugada e o cheiro da maresia é tão intenso 
que as ondas parecem quebrar-se contra a casa. 
Sinto a aragem do sul com sua lâmina de sal a roçar-me a cara. 
E daqui, desta janela, começo a amar o assombro 
dos náufragos atraídos pelo chamamento dos búzios 
e pelo alvoroço das aves em redor dos barcos.

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013