Deliberadamente aceito
reencontrar-me comigo.
Em confusa harmonia,
começa por meu olhar
a urgência inaugural do reencontro.
Um precavido silêncio ajusta a luz
ao ritual mais virgem da memória.
Não recuso o cerco.
Dou ao tempo o jogo de quem vence.
Abro devagar a seda de meus véus
para
desvendar o mel e o sangue dos sentidos,
que a vida e a morte consentiram.
Graça Pires
De Jogo sensual no chão do peito, 2020, p. 15
