8.6.20

Doía-lhe na voz

Daniela Owergoor


Doía-lhe na voz
a crueza das palavras
como se fosse um poeta
sôfrego de silêncio.
Com olhos alagados de tristeza
perdia-se no espaço
mais íngreme das vagas
quando a sombra dos barcos
acostava no seu corpo
até se transformar em tempestade.
Num rodeio de vento sobre as dunas
achou o seu exílio.
As gaivotas começaram a amar-lhe
a fragilidade das mãos.

Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 7 

Se alguém quiser ouvir o poema pode fazê-lo aqui
https://www.youtube.com/watch?v=4umDyqwFCYw