Sarah Affonso
Amadurecem em papel de seda,
manipulando a cor, ateando o silêncio,
incendiando as cinzas, anunciando a luz.
As palavras andam por aí
como se fosse a vez primeira:
solitariamente manejando a noite.
E desnudam-me.
Dançam no meu corpo.
Cobrem-no de malícia.
Tatuam em minha testa o tom
das tangerinas para que o seu sumo
me escorra pela cara até à boca.
Graça Pires
De A incidência da luz, 2011, p. 71 (reeditado)
Se quiserem ouvir o poema podem fazê-lo aqui:
https://youtu.be/ynVX8qL11N0
