29.6.11

Quando chegaste

Alvarez Bravo

Como se nada pudesse alterar o percurso de uma paixão,
enfeito os ombros de mimosas e mudo de perfume, para
inquietar quem roce os meus cabelos.

Chegaste: trazias nos olhos toda a claridade 
das manhãs da tua infância
e um sorriso de menino triste no contorno da boca.
Chegaste: o meu olhar propício ao teu olhar. 
A marca da sede nos meus lábios. 
Um frio perturbado, coagulando-me o sangue e o sexo.
Chegaste: lembras-te como, em nossas mãos, 
se insinuou um rio e, sem tréguas, os dedos 
deslizaram, lentamente, adivinhando
o começo da nascente em nossos corpos ?

Graça Pires
De Reino da lua, 2002


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