O rio passando
sem nunca correr.
Não lembrar o rio,
apenas a água
prometida pela nascente.
Deslizar um ávido olhar
pela corrente sem margens,
sem percurso, sem fundo nem fim.
Água a escorrer lentamente
dentro da boca.
Puríssima.
No enrouquecimento da voz.
Graça Pires
In: Água Silêncio Sede: homenagem poética a Maria Judite de Carvalho no centenário do seu nascimento. Selecção e organização de Lília Tavares e Carlos Campos. Braga: Poética, 2021, p. 76
