Amava-a tanto como se fora outra mãe
que o protegia.
Um dia em que dilatou o olhar para ocidente,
entendeu com inexplicável rigor
um motivo de evasão.
E quando a neve
era ainda mais branca nos seus olhos,
seguiu o chamamento do mar
na sede das raízes que o prendiam
ao lugar que amava.
Agora as gaivotas vêm morder-lhe na boca
os frutos silvestres.
Graça Pires
De A solidão é como o vento, 2020, p. 27
