6.6.08

Os dias de Junho

Robert Doisneau


Neste lugar, onde as giestas
derramam o mel junto aos caminhos,
medimos os dias de junho
pelo exacto despertar do horizonte,
quando os homens se levantam
para soltar o gado
e, por dentro dos seus olhos,
a lua se esconde, perturbada.


Graça Pires
De Quando as estevas entraram no poema, 2005

2.6.08

O mar



Sem hora marcada,
os navios passam ao largo das ondas.
Nenhum mar existe sem a silhueta dos mastros,
para chorar os peixes verdes em extinção.
De tão ausentes, as naus esqueceram
o orgasmo das marés
e permanecem, exaustas,
na memória das conchas.


Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996