Amedeo Modigliani
Gosto
de me levantar de madrugada,
quando
ainda são anilados
os
vultos de quem passa.
Gosto
de reter, no fundo do olhar,
o
instante primeiro do dia, para recuar
ao
tempo em que coleccionava barcos
de
papel e deles me tornava marinheiro.
As
vagas, lembro, começavam
nos
meus dedos quando sobrepunha
o
mastro sobre a quilha, com búzios
cristalinos
a enfeitar os pulsos.
E
visto-me de branco
como
se fosse a menina
que
descobre a primeira sede,
ou
a primeira nascente,
ou
a primeira paixão.
Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 38

























