Para a minha irmã
Não sabes se é possível recolher
as últimas estrelas da noite,
para amenizar o peso do silêncio.
Mas, do cume da manhã,
avistas sempre, tu o dizes,
um atalho para a felicidade,
porque as tuas mãos respiram
a irrecusável posse de uma alegria
capaz de multiplicar a voz,
para dizer que, em todos os rostos,
desagua um rio navegável,
onde importa saber ser barco,
ou remo, ou, simplesmente,
o rumor da água corrente.
Ao acaso, repartes o gosto de viver,
sem a lógica de coisa calculada
e sem nunca ficares de fé perdida,
como se usasses o optimismo
em legítima defesa.
Graça Pires
as últimas estrelas da noite,
para amenizar o peso do silêncio.
Mas, do cume da manhã,
avistas sempre, tu o dizes,
um atalho para a felicidade,
porque as tuas mãos respiram
a irrecusável posse de uma alegria
capaz de multiplicar a voz,
para dizer que, em todos os rostos,
desagua um rio navegável,
onde importa saber ser barco,
ou remo, ou, simplesmente,
o rumor da água corrente.
Ao acaso, repartes o gosto de viver,
sem a lógica de coisa calculada
e sem nunca ficares de fé perdida,
como se usasses o optimismo
em legítima defesa.
Graça Pires
De Ortografia do olhar, 1996
Atenção: há mais poemas meus na voz de José-António Moreira em Sons da Escrita

















































