Amedeo Modigliani
Quem
foi que roubou os meus sonhos
brancos
de menina e me pôs no olhar
a
imensa clareira da tristeza?
Como
esquecer aquele tempo
em
que eu brincava com o vento
e
rebolava na erva e cantava
com
as cigarras e me espantava
com
o desenho das nuvens?
Como
não lembrar os dias
em
que nada quebrava a porcelana
dos
lírios de intacta leveza?
À
margem de trilhos ao acaso
vagueio
para além de mim
sem
que os pés se amarrem ao chão.
As
minhas mãos, sobre o regaço,
estão
trémulas e vazias.
Retenho
as lágrimas
como
se dispersasse as chuvas.
Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017





















