Moisés Saman
um silenciamento em desamparo
um muro farpado com arame
uma chocante perfídia humana.
Tentamos decifrar gestos confusos
na turbulência de mãos intermináveis
que enfrentam tormentas
com o olhar cheio de cegueira
à procura de um deus no suor da morte.
Nenhuma palavra circunscreve o medo
de olhares indefesos a pairar
sobre uma paisagem impessoal.
Nenhuma palavra redime as sombras
dispersas no sangue de quem conhece
o chicote da frieza e busca um ponto
de fuga para agarrar a vida.
Graça Pires
De O improviso de viver, 2023. p.59

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