Menez
Para a minha Filha Ana no dia da Mãe
Floresceram as cerejeiras
no lento tempo do pólen.
E vieram as abelhas, e as
primeiras cerejas,
e o puríssimo mel.
Veio também o mês de maio
e, com ele, a trémula
ondulação das palavras.
Digo mãe. Digo filha.
Palavras ajustadas à
inquieta harmonia do sangue.
Palavras que se tocam como
rios
da mesma nascente
inundados,
pela mesma sede
procurados.
Palavras que se dizem, que
se calam,
que se questionam, que se
entrelaçam.
Onde estás, mãe?
Tem cuidado contigo,
filha!
Graça Pires, 2017





























