Para o meu filho Pedro
Desenho no ar um desvio para o passado
e teço, em meu peito, um regozijo solar.
Cerro os olhos para que uma luz, quase oculta,
tome meu espanto, me devolva
o sentido único da claridade,
e o límpido tumulto que ousou minhas águas.
Foi em junho.
Antes do solstício.
Antes de nascer o sol.
Eu tinha uma túnica de linfa cosida
no lugar mais sagrado do ventre.
Um aceno de aves circundou meu sangue
e recolheu meus signos
como cálamo acendido na boca dos sonhos.
A eternidade a pulsar no comovido prodígio de viver!
Graça Pires, 2018






















