que proclamam a natureza
em toda a sua resplandecência,
inicial e intacta.
Torno-me cúmplice da paisagem.
As cores e as sombras que o nascer do dia
me revela como se fossem a epifania
de deuses telúricos, celebram o pulsar da terra.
O equívoco do vento de junho à beira do verão
percorre as árvores e alucina as borboletas
escondidas nas trepadeiras,
a quebrarem a monotonia da realidade aparente.
Retardo o passo no ranger da areia
que se oferece e se nega aos pés descalços
e porosos a qualquer afago.
Do fundo da idade, o sal da boca
deixa-me pressentir a alternação das marés.
Cada horizonte é uma revelação
onde, náufrago, o olhar penetra a beleza
sempre excessiva do silêncio.
Tudo o que sei a sede mo disse,
repito para mim própria sem ambiguidades,
sem artifícios, para justificar a invocação
das águas, num argumento convicto.



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