Amedeo Modigliani
Gosto
de guardar segredos.
Tenho,
mesmo, um jeito discreto
de
alinhar os meus dias: como um arquivo
de
fotografias de viagens;
como
um regato silencioso
correndo
de meus cílios;
como
o percurso da estrela-d’alva
no
desvio das horas.
Gosto
de ler Rimbaud
não falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso
invadirá a minha alma…
Toco
com os lábios
os
múltiplos espelhos
que
me deformam a boca,
extraviada
de afectos,
e
aguardo esse amor.
L’amour
est a réinventer, on le sait.
Eu
também sei.
Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 26

























